domingo, 2 de janeiro de 2011

Dormindo

Desço a rua
Aberta ao fim da tarde
De inicio ninguém caminha comigo,
Mas à medida que vou chegando mais perto do rio
Outros se juntam a mim.
Não gosto desta companhia.
Tento esquecer-me do que já fiz aqui,
Das vezes que caminhei contigo
Com eles
Com os outros,
Mas é impossível,
Esta rua está apinhada de memórias
Está cheia de uma violência emocional sem fim.
Olho para os bancos desertos
E sinto o sol que outrora me tocou
Mas ele já não existe,
Existe esta penumbra que não deixa vislumbrar as estrelas
A noite encerra o dia aqui.
Só vim porque ele me pediu,
Porque na sua ausência e desprezo
Me pediu que fugisse de mim
Para me salvar,
Para tentar ser feliz.
Então eu vim,
Desci a rua sozinha,
E encontrei nela motivações
Talvez mesquinhas
Mas as únicas que me fizeram continuar
Talvez as únicas que ainda são a minha razão de viver.
Cansei-me da tua perseverança insólita
E da tua inércia
Lavei-te a cara em sinal de respeito,
Lavei-te as mãos como prova do meu amor,
Lavei-te os pés para que seguisses a tua caminhada
Sem mim.
Esperei por ti e não mais quero fazê-lo
Não posso esperar por mais ninguém
Estive aqui, caminhei contigo
Só para dizer que chegaste ao fim.

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