segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E à noite, eu já não era homem sob o peso dos mortos

A: Cumpri a minha missão.

C: Cumpre a tua última.

A: Eu matei pela revolução.

C: Morre por ela.

A: Cometi um erro.

C: Tu és o erro.

A: Sou um ser humano.

C: O que é isso?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

He said to me:





Shut the door, shut the door because I'm staying here. 
The world might disappear under blankets of snow.
  "Anne!" 
There's a wonderful word that you will liken it to but it's caught in the back of your mind though.  
Okay, and some will say "to you will go the world" 
Shut the door because I disagree. 
And Memnon sighs relief. 
Some circles you can't leave.
TNP

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Je vois la vie en rouge.

“Saga, que saga

Quem paga as minhas dívidas?”

Pensava ele ouvindo Edith,

Cagando na sanita,

Riscando o jornal com os olhos.


A torneira da banheira deixava um rasto

De calcário amarelo na loiça branca.


Cheirava a podre,

Estava calor

E o suor da casa escorria pelas paredes de papel forradas.


Mais afastado deste quadro, num canto da cozinha suja

Passeava uma barata grande e gorda,

Dando um toque de beleza natural

Aquele quadro tão impecavelmente decadente.


“Edith, salva-me.” – Dizia ele para o espelho,

Preparando-se para fazer a barba.


À volta dos olhos as rugas,

As ramelas,

No canto da boca rude, um resto de saliva seca da noite.


“Aqui não cheira a rosas.” - Pensou.

E enquanto Edith cantava,

Facilmente com o fio da navalha

Se libertou um jacto fino de sangue.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Coco Prado

De manhã, sentas-te por breves momentos à mesa, na cozinha. Entornas o leite no chão. Abres a tua boca envolta de rugas e barba, a tua saliva é espessa, e o teu hálito é inevitavelmente matinal, sorves o leite com tanta pressa, fazes me ficar ansiosa, fazes me ficar nervosa.

Tremem-te as mãos. Estás atrasado para a apartação.

Não quero ir contigo, vamos embater contra qualquer verdade cruel e eu não sei se quero lutar contra a morte. Sinto-me cada vez mais inútil.

Tremem-te as mãos. Entregas-te às drogas. Ficamos aqui olhando o céu, até chover. Os cigarros que fumamos vão ficando molhados, e as chamas apagam-se. A terra à nossa volta transforma-se em lama.

Tu já te foste, partiste. O dia já passou e eu não vi nada, senão breu e trevas.

Vem buscar-me. Prefiro morrer contigo na pressa de ser fiel aos compromissos injustos do mundo, do que definhar na crueldade da indiferença.

Então pegas-me ao colo, como se eu voltasse a ser pequenina em teus braços, e como se tu voltasses a ser vigorosamente jovem. Eu escorro água, lágrimas e sangue. No meio de tanta dor, não me sinto.

Não sei o que aconteceu. Não sei onde estou. Não sei quem me leva. Não sei para onde me levam.

Dói-me o corpo, dói-me a cabeça, dói-me o coração. As minhas mãos estão fechadas. Caí e tu não me levantaste.

Esqueci-me que já não estás aqui. Só agora percebo que perdi o teu fim.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Friendly, friendly fight



Acordo sobre o teu peito gélido
Depois da queda,
Sorris-me como sempre
Honestamente.

Estou mais leve,
Isto sou eu e mais nada.
Despida de tudo.

Para quê alimentar feras famintas de guerra se só o que desejo é paz?

Já não tenho medo,
De mim, nem da morte
O instinto violento da noite
Revela segredos.

De repente sinto a tua mão na minha
A odisseia de luzes que nos persegue,
A quantidade de ruídos que os meus ouvidos
Já não conseguem distinguir.

Sinto nas tuas veias
Ardente o sangue
Ardente o veneno.

Olho-te nos olhos
E sorris-me como sempre
Honestamente.

Estou só, depois da queda,
Isto sou eu e mais nada,
À porta do Mundo.

Para quê alimentar feras famintas de mim, se o que quero és tu?

S.L.

domingo, 19 de setembro de 2010

Awake forever in a sweet unrest



Can death be sleep, when life is but a dream,
And scenes of bliss pass as a phantom by?
The transient pleasures as a vision seem,
And yet we think the greatest pain's to die.

J.K.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mandrágora de Rúben

Aprendi, meu senhor, a ser o esfregão que lava o chão que pisa.
Aprendi, meu senhor, a ser o branco rancor das suas camisas, que leva sempre engomadas.
Aprendi, meu senhor, a ser o sal dos seus lençóis, quando de manhã parte e o calor do seu corpo sucumbe à arte do tempo.
Aprendi, meu senhor, a abandonar a sua beira, quando à mesa se senta para saborear o jantar.
Aprendi, meu senhor, a queimar a lenha que aquece a sua casa nas noites solitárias de Dezembro.
Aprendi, meu senhor, a remendar com minúcia os seus fatos, a engraxar os seus sapatos.
Aprendi, meu senhor, a ser em tudo sua, mas da sua boca não sai palavra de conforto, dos seus gestos graciosos não se formam carícias, nos meus seios não procura as delícias que lhe fariam viver os desejos esgotados na pele limpa da sua primeira mulher.
Aprendi, meu senhor, em tudo a ser fiel, em tudo a ser honesta, em tudo a amá-lo,
Mas aprendi que para si não há mais mulher senão Raquel.

domingo, 22 de agosto de 2010

Do you want to fall not ever knowing who took you?

Don't talk down to me. Don't be polite to me. Don't try to make me feel nice. Don't relax. I'll cut the smile off your face. You think I don't know what's going on. You think I'm afraid to react. The joke's on you. I'm biding my time, looking for the spot. You think no one can reach you, no one can have what you have. I've been planning while your playing. I've been saving while you're spending. The game is almost over so it's time you acknowledge me.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Azarius



Ele dança à tua volta


Faz te sorrir


Seguindo vigorosamente


Os ritmos psicotrópicos


E as luzes incandescentes


As suas mãos elásticas


Envolvem-te a cintura


E agarra-lo ardentemente


Com a tua língua


De sabor a vodka e baunilha.



Os vossos corpos flutuam


E já nem os vidros nos pés sentes


É tudo azul e lilás


O teu estômago audaz dá três voltas


E de repente


Chovem cristais dos teus olhos.



Vomitas a violência das palavras


E atinges certeiramente


O teu companheiro fiel


O teu ecstasy sagrado.



Num instante


A tua overdose de verdade


Mata toda a tua sanidade


E tu estás longe de encontrar a metadona.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Monólogo da Intima

Os meus olhos estão cada vez mais cansados, e ardem.
Tento manter-me acordada.
A viagem é sempre longa, quando quero chegar até ti.
Não tenho vontade de pousar os pés no chão, de andar, de me esforçar no martírio que são estas escadas malditas.

Mantenho-me intacta. "Não me partas, não me forces a entrar na tua vida."

Abandono-me, dispo-me.
Visto outra pele, e até o meu cheiro muda, e é disso que gostas.

Vagueio na noite, entre bordeis e prisões.
Estou cansada deste passo altivo que finjo ter, desta postura dura e direita, da máscara que colo à cara, para agradar.

"Raios te partam. "
Assustas-me, tenho medo de te encontrar no virar da esquina, e acima de tudo tenho medo de te encontrar dentro de mim.

Bebo e bebo até cair, até rebolar nas minhas próprias palavras. Até arranhar os joelhos, até esfolar a cara no chão.

Ah, quero me libertar deste corpo! Desta alma que me aprisiona!
Nem sequer quero ser apenas uma Ideia, não quero que ninguém me pense,
E muito menos quero que me olhem!
"Parem! Já chega!"
Eu não sou eu
E não quero ser!
Quero ser Nada!

Calei-me, por instantes,
Já não ouço a minha voz irritante.
Corro até à casa de banho, olho-me ao espelho.
Quem é esta pessoa que vejo?
Arranjo o cabelo, sem sucesso. Respiro fundo, averiguo o meu estado
O meu corpo repleto de merda.

Saio dali, porque tem de ser, porque aquilo não dura sempre.
E para meu mal, encontro-te no fundo do corredor
Às escuras, e choras.

"Não tenho paciência...", digo-te. Mas tu agarras-me o braço,
E violento roubas-me um abraço que não quero sentir.
Fico sem palavras, fico sem fôlego, fico sem medo, fico sem mim.

Na escuridão daquela casa vamos aos trambolhões,
Tropeçando aqui e ali,
Naquela tábua, naquele corpo.
Nem sei como terminou esta guerra, mas tudo está deserto
Cheira a morto.

Não sei para onde me levas, não tenho lar para onde voltar
Não tenho pais, nem irmãos que me queiram abraçar.
Vou, perdida.
Vou, resignada, porque és a minha única opção.

Depois,
Cuido de ti, dou-te banho,
Dou-te dinheiro,
Dou-te amor,
Porque me salvaste daquela batalha,
Porque me limpaste as feridas,
E me mostraste que não preciso de máscara para sobreviver,
Para ser bonita.

Tenho uma divida para contigo,
Que não sei como terminar de pagar,
Porque achas que já estou curada,
E deixaste de me levar pela mão,
Ou ao colo,
Deixei de poder abafar as minhas mágoas no teu peito.
Deixei de ser a concubina eleita.
Deixei de ser eu.

Finalmente, tenho aquilo que quero,
Um corpo sincero onde cravar novas marcas.
Então num acto de sacrilégio entrego-me a ti.
E matas-me.

Um golpe aqui,
Um golpe ali,
Para não doer tanto.
Não há dor, és o que quero
És a morte que eu desejo.
E lenta, suave e delicadamente
Sou sangue e leite e mel
E suor e lágrimas.
E matas-me.

Matas-me.

Morri.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Time...




You go for a walk in the park 'cause you don't need anything

Your hand that you sometimes hold doesn't do anything

The face that you see in the door isn't standing there anymore.


The face that you saw in the door isn't looking at you anymore

The name that you call in its place isn't waiting for your embrace

The word that you learned to behold cannot hold you anymore.


In a matter of time it, would slip from my mind

In and out of my life, you would slip from my mind

In a matter of time.


More, you want more

More, you want more

More, you want more, you tell me

More, only time can know you.


B.H.

domingo, 25 de julho de 2010

EstaTua

Ainda não chegaste, e eu continuo à tua espera
Já branca pálida, fraca
Sentada nesta cadeira que me agarra há dias.
Disseste que vinhas, e onde estás tu? Que te aconteceu?
Fico assustada ao pensar que tudo se perdeu.
Mas o meu cigarro já se apagou,
E o meu aspecto optimista e até um pouco arrogante
Abandonou-me aos poucos.
Estou feita em farrapos, suja, despida
À espera.
E a lua cheia já me queima,
A brisa do Verão já me arrepia
E as trevas já desceram sobre a minha cabeça.
E tu não vens.
É o silêncio a minha companhia,
Não há mais nada para além do silêncio,
Não consigo pensar
Não consigo ver-te
Nem tocar-te.
Começo a achar que já não existes,
Começo a ficar louca de desejo.
Anseio o teu beijo como anseio pela morte
És tu o meu fado, a minha sorte maldita
E eu mal te conheço,
Ou te conheço por inteiro.
Vem, se me tens algum tipo de sentimento,
Corre para mim, se me amas, sem qualquer constrangimento.
Vem e abraça-me
Cuida de mim,
Como só tu sabes fazer
Como só tu farás até ao fim.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Promessa


É difícil para mim acordar a meio de ti, e as viagens a que nos propomos são sempre para mim o mundo e para ti o centro.
A luz no chão reflecte o pó e a sujidade.
Eu transpiro imenso no teu peito, e acaricias o meu cabelo húmido com as tuas mãos suadas.
Estamos a desaparecer.
Sabemo-lo.
E as palavras já estão gastas, amor.
A estrada precipita-se no abismo do deserto, e eu quero dançar contigo.
Sinto que o beijo súbito e inconsciente me vai sair do corpo e tornar-se um monstro que terminará com tudo.
Tudo cairá por terra.
Só espero que não seja apenas meu este sufoco, porque o teu corpo escorre para o meu, e as tuas carícias, que não te peço nem exijo, saciam-me sempre a sede.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Alma

Estou ainda dormindo,
Pela tarde
No seco pasto.
O sol acaricia-me a face
E o livro aberto
Deixa um rasto.
O odor das tuas palavras
Percorre a minha mente,
Cheiras-me a tudo aquilo que é diferente.
E de súbito começo a voltar do sonho,
Ultimamente viajo para um destino imundo.
Todos os sons regressam,
E o laranja do dia
Se reinventa nos meus olhos.
Não há brisa nem vento,
Estou disposta ao esquecimento.
Como era bom sentir a tua selva,
A humidade carente
De ir em busca da aventura,
E ser tua para sempre.
Não,
Há muito que no meu sangue não encontram a chama,
Não há restos de doçura.
Por vezes chego a achar que já estou morta
Fria e dura.
E tu tão longe,
Tão já Passado.
É triste perceber que a alma gémea
É um defunto enterrado.

domingo, 20 de junho de 2010

O meu herói disse-me adeus...



Não há paixão, o que existe aqui é apenas tédio.
Quando a platina cai sobre a cidade, a cidade gela.
São estrelas decadentes irritadas por lhe retirarem o tapete.
E tu tens noção, tens consciência de que isto é uma doença, que os sintomas te saem caros.
Já não és uma criança para levares a ilusão ao extremo de passares um e outro dia fingindo ser quem não és e teres o que não tens.
Onde está essa dor no peito? Não a sentes?
Sabes que ela está aí para te meter medo, para te lembrar de que já não existem segredos em ti.
Tu já não te escondes de ti próprio e isso dilacera-te, porque já percebeste que és uma besta podre por dentro. E mesmo assim continuas a sê-lo.
Cobarde.
O amor é ter coragem de apregoar a verdade.
Mas o teu amor volta a ser impossível e volta a cair na mentira.
Morte ao impaciente que cai na tentação de mudar o rumo das coisas, porque tem medo daquilo que sente.
Que acabe aqui o que se tornou monstruoso.
Que termine aqui o tormento de anos.
Que este seja o teu fim.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Lonely

I keep dreaming about this tiny scorpion that comes out of my mouth,
And he goes through my body, but he never stings...
And I have that feeling...
I don't know if I should fear him, or just trust him...
Still I always want him to sting me, so I can feel something.



domingo, 6 de junho de 2010

Não é minha a tua culpa.

Ainda vejo e prevejo o ventre indesejado da minha presença
E para quê querer-te se a tua face me queima a pele?

Cada palavra tua é como um pecado,
É uma mentira inigualável ao meu fardo pesado.

Todo o ódio que me tens me fascina.
Pensei não ser possível existir tal sentimento,
Tal sentido de injustiça perante o meu arrependimento.

Vale a pena falares comigo, tentares estar a meu lado
Se a única certeza que tens é que tudo seria mais fácil se eu não existisse?

Cais, e rasgas a tua própria garganta,
Não são preces o que cantas,
É a inércia a que te entregas que te corrói a mente.

Eu não tenho culpa,
Eu não te fiz nada,
Eu apenas existo e por isso sou crucificada.

Antes de te entender, antes de sequer pronunciar o teu nome
Já tu desejavas o sabor da morte,
Ansiavas por um cataclismo.

Sou eu sim,
Aqui estou,
Estarei,
Até que desças à terra e me leves contigo para o Nada.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Na banheira



Lavar os dentes até à inconsciência,
Até sangrar, até deixar de arder a saliva.
Cortar, cortar, sair,
Expurgar da boca o sabor do sal
Num acto animal,
Deixar de te ouvir.
Não respirar,
Coçar, coçar, esfregar, gemer
Até a pele derreter e queimada cair.
Ficar, ficar, morder, ruir.
Lavada, limpa, em sangue, em ferida,
A carne viva,
A boca seca de gritar,
De lutar.
O cabelo, o cheiro das cinzas,
A chama apagada, as mãos fechadas.
A dor, a dor e o terror
De carcomer, de vingar, de sofrer,
Esquecer-me de mim.

domingo, 18 de abril de 2010

O Homem é um Porco e o Porco vai mas é para Casa

Cheguei ao limite,
Ao limiar do acreditar
E percebo agora:
"o Homem é um porco",
Tens razão.

Lembrei-me agora de recordar
Que posso dizer não
Que posso escolher o nada
Ficar sentada,
Sem tomar qualquer posição.

Como a Joaninha dos olhos verdes, no alpendre
A ver passar os "Carlos" da sua infância,
Verde esperança de próspero futuro.

Mas Joana, o Carlos é um porco,
E o porco vai mas é para a guerra.

A Guerra, esse caos infeliz
De sangue e carne e metal
A Guerra esse prazer obscuro
De "la petite mort"
De sangue e carne e leite.

Joana, quando pensas na traição que cometes
És o mais puro dos seres,
Ele já antes traíra a tua confiança
Enchendo a pança de outras mulheres.

Não te canses de dizer, cara Joana:
O Homem é um porco, e o porco vai mas é para a matança!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Wide Open Arms Can Feel So Cold



IF YOU FIND THE SOUL THAT YOU LOST FROZEN IN A STARRY VOID TAKE IT WITHIN AND HOPE THE SIGHT OF BLOOD CAN WILL SIGNS OF LIFE TO RETURN BACK TO THE WAY THAT IT WAS LONG BEFORE IT MADE A NOISE TO KEEP ON QUIETLY REMINDING YOU WHAT'S NEVER CREATED OR DESTROYED.

MGMT