domingo, 6 de junho de 2010

Não é minha a tua culpa.

Ainda vejo e prevejo o ventre indesejado da minha presença
E para quê querer-te se a tua face me queima a pele?

Cada palavra tua é como um pecado,
É uma mentira inigualável ao meu fardo pesado.

Todo o ódio que me tens me fascina.
Pensei não ser possível existir tal sentimento,
Tal sentido de injustiça perante o meu arrependimento.

Vale a pena falares comigo, tentares estar a meu lado
Se a única certeza que tens é que tudo seria mais fácil se eu não existisse?

Cais, e rasgas a tua própria garganta,
Não são preces o que cantas,
É a inércia a que te entregas que te corrói a mente.

Eu não tenho culpa,
Eu não te fiz nada,
Eu apenas existo e por isso sou crucificada.

Antes de te entender, antes de sequer pronunciar o teu nome
Já tu desejavas o sabor da morte,
Ansiavas por um cataclismo.

Sou eu sim,
Aqui estou,
Estarei,
Até que desças à terra e me leves contigo para o Nada.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Na banheira



Lavar os dentes até à inconsciência,
Até sangrar, até deixar de arder a saliva.
Cortar, cortar, sair,
Expurgar da boca o sabor do sal
Num acto animal,
Deixar de te ouvir.
Não respirar,
Coçar, coçar, esfregar, gemer
Até a pele derreter e queimada cair.
Ficar, ficar, morder, ruir.
Lavada, limpa, em sangue, em ferida,
A carne viva,
A boca seca de gritar,
De lutar.
O cabelo, o cheiro das cinzas,
A chama apagada, as mãos fechadas.
A dor, a dor e o terror
De carcomer, de vingar, de sofrer,
Esquecer-me de mim.

domingo, 18 de abril de 2010

O Homem é um Porco e o Porco vai mas é para Casa

Cheguei ao limite,
Ao limiar do acreditar
E percebo agora:
"o Homem é um porco",
Tens razão.

Lembrei-me agora de recordar
Que posso dizer não
Que posso escolher o nada
Ficar sentada,
Sem tomar qualquer posição.

Como a Joaninha dos olhos verdes, no alpendre
A ver passar os "Carlos" da sua infância,
Verde esperança de próspero futuro.

Mas Joana, o Carlos é um porco,
E o porco vai mas é para a guerra.

A Guerra, esse caos infeliz
De sangue e carne e metal
A Guerra esse prazer obscuro
De "la petite mort"
De sangue e carne e leite.

Joana, quando pensas na traição que cometes
És o mais puro dos seres,
Ele já antes traíra a tua confiança
Enchendo a pança de outras mulheres.

Não te canses de dizer, cara Joana:
O Homem é um porco, e o porco vai mas é para a matança!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Wide Open Arms Can Feel So Cold



IF YOU FIND THE SOUL THAT YOU LOST FROZEN IN A STARRY VOID TAKE IT WITHIN AND HOPE THE SIGHT OF BLOOD CAN WILL SIGNS OF LIFE TO RETURN BACK TO THE WAY THAT IT WAS LONG BEFORE IT MADE A NOISE TO KEEP ON QUIETLY REMINDING YOU WHAT'S NEVER CREATED OR DESTROYED.

MGMT

domingo, 7 de março de 2010

Verdades

Uma é: que te amo,
Duas: que te pertenço,
Três: que não te tenho,
Quatro: que não te esqueço.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Os fumadores morrem prematuramente.




Ela não quiz,

Não quer saber,

Ela não sabe o que está a perder.


L.L.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Quadro Final


Se da minha boca saíssem palavras doces
Se das minhas mãos carícias brotassem
Se dos meus braços viesse o aconchego
Eu estaria contigo.

E se da minha pele surgisse o suor do trabalho justo
E dos meus pés o pó cansado da terra
E do meu rosto as rugas breves do esforço
Eu estaria contigo.

Mas de meus olhos não caem lágrimas,
O meu peito não produz qualquer som,
As minhas pernas estão cansadas,
As minhas visceras gastas,
Então estou só.

Morro lentamente
A cada segundo que passa,
Flutuo para sempre em memórias
De tempos férteis em inocência,
E vislumbro o céu azul
Onde de noite revejo as estrelas
Que fizemos nascer.

(Inspirado pela música Piscina Cósmica de Guilherme Canhão.)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

You don't remember things I can't forget...





"I've been hanging round

Everywhere you go in town

Watching you forget me

I want to see you crack

I'm going to get you back

Put your hands up baby"


"You're talking to me like

I'm in your debt

You don't remember things I can't forget

Now you don't look so well

Turn that gun back on yourself

And take a load off baby

I've had enough this time

Give me back my boots you swine

It's your fault you hate me"


"I only hate you 'cause I hate myself

It breaks my heart that I can't wish you well

Now I could end this here

Die and take you with me dearIt could be so easy..."


"I don't care what you do

I’ll still be rid of you

Just make your mind up baby"


"I'll turn around I'll walk away from you

If I turn back I'll be the death of you"


C.O.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Hipotermia



É gélido o meu passo
E mesmo assim sinto-me no mesmo lugar
Sou fraca e quebro-me
Estilhaço-me
Ao tocares-me.

Desfaço-me por completo
Uma e outra vez
Porque o meu coração de pedra
Não aguenta o teu toque,
Nem a tua gentileza.

Fiquei demasiado tempo parada
Presa à sala fria
À espera do que não está para vir
E tu ainda não vieste
Nem sequer chegaste perto de mim
Nem sequer senti a tua respiração.

Eu estava insensivelmente
Compenetrada na contemplação
Do branco teor dos teus olhos,
Do branco duro dos teus finos dentes,
Do branco puro que te envolve o peito austero.

E mesmo assim por entre a fria chuva
Que me turva a visão
E quase me cega
As tuas palavras ecoam na minha cabeça
E a memória do teu sorriso longínquo
Faz-me aquecer,
Faz-me corar
A tua persistência em me fazeres feliz
Em estares comigo apenas
Mesmo que a derreter em teus braços.


domingo, 20 de dezembro de 2009

Hermosa Simbiosis




O frio leito das tuas frias mãos
A dor sentida quando o café a ferver
Queima a pele,
São prenúncio de uma simbiose terrível
Mas breve.

Olho o teu rosto redondo claro
Os teus olhos com as suas longas pestanas
Iluminam a sala
E a minha voz temperada afasta o fumo
Dos cigarros.

Estamos sentados frente a frente
Num encontro feito pelo caso,
De repente ao fim de longas décadas
De indiferença,
Sinto que ouves,
Compreendes
E te interessas.

Num instante quero estar contigo,
Num instante queres que vá contigo,
Num instante estamos juntos,
E num instante somos um.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Last words...



Arrasto os teus lábios nos meus
A tua saliva será minha
Durante longos anos
Porque fizemos danos
Irreparáveis.

Eu seguro a tua mão e sinto a pele
A vontade de te ter a meu lado
E a vontade de não mais te ter
De me seres nada.

Ao encontro dos teus olhos
Virão outras visões,
E ao encontro dos teus braços
Virão outras paixões.

Segues a escada íngreme,
Os degraus, a espera
Essa doença da qual quero ficar curada,
Essa doce tristeza que se tornou sofreguidão
Por te desconhecer.

Choras as últimas lágrimas
Nas últimas horas,
Escureces tudo por onde passas
E fazes chover torrencialmente.

Sinto que me tiraste a vida
A inocência, talvez
Sinto que te roubei a alma
Por engano, talvez…

No último minuto,
Na última mentira,
No desfecho triste desta narrativa
Enjoativa
Não sei dizer a palavra FIM.

Os nossos nomes não ficam bem assim,
As imagens ficam suspensas
As recordações amarradas
Deixando cair as mãos até ao teu peito,
Cheirando-te,
Beijo o adeus, sem o saber
Porque assim será para SEMPRE.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ao lado de Américo




Sento-me a teu lado
O teu porte negro
Soldado a dourado
Faz-me ser curiosa.

Os teus cabelos longos
As tuas mãos delicadas
Agarram o dicionário
Da minha língua.

Desligo o telefone,
A minha mãe pode esperar.

Falas comigo
A tua voz é rouca
E grandiosa como tu.

Dizes-me de onde vens
Para onde vais
Gostas da minha língua
Queres conhecê-la e tocá-la.

E queres que eu te ensine
Enquanto vamos no metro.

Infelizmente digo-te na tua língua
Quente e pronunciada
Que não posso ir nessa carruagem.

Tenho de ficar aqui à espera
E tu segues viagem.

Eu fico sentada
A desejar
Ter terminado o telefonema antes.

Já passou algum tempo
Já deixei passar várias carruagens
E nunca mais voltei a ver-te.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Hélice



Deparo-me com o limite ténue do véu,
O facto sarcástico de te teres lançado no ar,
De te teres arriscado a voar para longe.

Cabes invisível naquela fotografia,
És tu e mais ninguém,
E consigo distinguir-te,
O teu vazio é teu e de mais ninguém.

Cabes aqui, estranhamente.
Dóis e não sei porquê,
Estou a olhar-te,
Continuo a ver-te.

Estou pregada ao chão
Deixo inundar os meus olhos com lágrimas,
Deixo-me percorrer por esta perda que não é minha.

As lágrimas caem,
Começo a vislumbrar-te
Por detrás deste véu aquoso.

Mas tu nem sequer aqui estás
És apenas uma ideia,
Uma recordação silênciosa e infame.

És o vazio que ocupas
E mais ninguém.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Português Amarelo (Série de Narrativa - Vícios III)




"Este vai ser o meu último cigarro..." – dizia ele rodando o cigarro entre os dedos.


Claro que eu tentava acreditar no que ele estava a dizer, mas parecia demasiado estranho vê-lo abdicar das coisas que faziam parte dele. Se ele o fizesse, se ele abandonasse os seus vícios deixaria de ser quem era e passaria a ser outro alguém.


Voltei a olhar para a chávena do café e perguntei a medo: "Também me vais deixar?". Ele riu-se.


Eu sei que todos os seus vícios lhe davam prazer, e sei que também era para isso que lhe servia, então tremi ao imaginar que seria abandonada como tudo o resto. De um lado eu e do outro o amarrotado maço de cigarros, Português Amarelo.


Juro que nunca quis afectar ninguém com as minhas propriedades altamente cancerígenas, mas ele tinha a boca mais irresistível, as veias e o coração mais quentes que alguma vez ousara queimar.


Levantei-me bruscamente, passei pelo fumo do seu último cigarro, entrecortando a linha ténue que este desenhava no ar. Ele seguiu-me contrariado com o passo lento e largo.


Sabia que ele tinha de partir e eu queria despedir-me convenientemente. No entanto, não conseguia tirar os olhos das pedras da calçada. Estava nervosa e inquieta.


Sentei-me nos degraus da entrada da igreja e ele sentou-se a meu lado. Observei-o. Não me estava a parecer que aquela forma de fumar anunciasse o fim desse metódico acto. Aquele cigarro jamais seria o último, era como outro qualquer. E mais uma vez a analogia surgiu na minha cabeça. Aquilo que estávamos ali a fazer, a razão pela qual nos havíamos encontrado, não era para nos despedirmos, aquilo não era a última vez que estávamos juntos, era outra ocasião em que sarcasticamente fingíamos seguir em frente, mas já os nossos corpos, os nossos olhos e os nossos corações afirmavam que iríamos ceder ao vício de nos amarmos mutuamente.


Então ele apagou o seu cigarro nas pedras da calçada, juntou o seu corpo ao meu, deu-me a mão, beijou-me a face, abraçou-me e eu deixei que uma lágrima escapasse.


Saiu dali tão depressa, e eu fiquei sentada nas escadas da igreja, onde ainda pairava o cheiro do cigarro apagado, e ao meu lado, no mesmo degrau, o maço rasgado de Português Amarelo.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A última noite em que te vi (Série de Narrativa - II)

A noite fria e escura não anunciava a queda daquele império estranha e subitamente estabelecido, eram antes as nossas mentes, era antes uma revolta interior muito silenciosa e controversa.

Eu não queria admitir que estava a desejar o fim da minha felicidade. Tudo isso era por demais ilógico e masoquista. Mais uma vez eu desejava sofrer.

Comecei a pensar que talvez seria esse o meu estado mais pleno. Sentia saudades dessa incapacidade de ser feliz, de me sentir satisfeita.

Foi nessa noite que eu me apercebi de que me perdera, de que deixara de conhecer aquilo que estava à minha volta, aquilo que havia adquirido a muito custo.

Fiquei desiludida, fiquei chocada, enjoada com a minha decisão.

Não havia nada a fazer, eu queria abandonar-me. Precisava de deixar tudo para trás. E porquê?

Porque queria apagar os vícios, apagar a mentira com que havia sustentado a minha efémera felicidade.

Sim, agora entendia que tudo aquilo era uma farsa, uma ilusão. Havia consentido que a mentira se instalasse na minha vida, como um mal menor, e agora que havia atingido os meus objectivos, não olhando a meios, sentia-me mal, sentia-me impura.

Ganhámos o melhor prémio de todos. Tudo era completo, tudo dançava ao ritmado sentir da felicidade, tudo sorria e transpirava satisfação.

Eu sentia-me inquieta.

De bicos dos pés, pedia uma bebida ao balcão, e sentia-me observada. Eu sabia que me olhavam, e por isso era ainda mais excêntrica. Pavoneava-me. As luzes da ribalta estavam sobre mim e eu adorava, deliciava-me com cada fino olhar que pousava sobre mim.

Todos me davam os parabéns, e a minha resposta era sem excepção um seco e frio: "Obrigada...", seguido de um falso sorriso, infestado de indiferença.

Nem o álcool me fizera mais sensível. Estava na mesma. Naquela noite eu era uma autêntica besta.

Olhei para ti tão doce, tão delicado. Estavas à minha espera para festejar aquela alegria súbita. Olhei-te nos olhos, como se te quisesse arrancar à força a alma. Eu já não sabia quem tu eras, e precisava de saber. Eu estava espantada com a minha frieza amnésica, com a minha estupidez.

A mesma pergunta ecoava na minha cabeça freneticamente enquanto tu me agarravas para dançar: "Quem és tu? Quem és?". E eu não obtinha qualquer resposta... Então abraçava-te longamente, talvez o contacto com o teu corpo me ajudasse a recordar. Mas nem o teu perfume, ou a textura suave da tua barba me ajudaram. Eu continuava na incógnita.

Então, roubei-te um beijo. Tu quiseste-o breve, mas eu prolonguei-o, na esperança inútil que a tua saliva despertasse em mim alguma memória.

Irritada agarrei-te firmemente as mãos e dancei contigo, acelerando o passo. Louca com o rodopiar de sensações, com o excesso de álcool e drogas eu parecia inabalável, intocável, senão pelas tuas mãos supostamente conhecidas.

Era isso! Quem não me conhecesse e olhasse para mim veria uma bomba pronta a explodir. No entanto tratava-se de uma implosão.

As minhas entranhas retorciam-se, abalavam-me, entregavam o meu cérebro à miséria, contorcendo-o, espremendo o meu coração, de tal maneira que já não havia réstia de sangue ou pingo de amor vivo que dali brotasse.

Já tudo havia terminado, todos queriam partir. Mas os meus pés impeliam-me para aquela dança, como que para espantar a dura realidade com que me havia deparado, como que a sacudir a verdade interior que havia descoberto.

Partimos então.

Eu fui quase arrastada.

Regressámos a casa.

A noite era escura e fria.

Eu fitava a estrada. Havia uma tensão no ar. Eu e tu franzíamos as nossas testas. Mal falámos durante todo o percurso, parecia que já não havia nada a dizer, havia tudo sido dito. Haviam-se esgotado as palavras.

Olhava-te de tempos a tempos.

Continuava com aquela estranha sensação de que estava com um desconhecido.

Pedi-te que dormisses comigo nessa madrugada, pois achava que se ficasse sozinha desapareceria mesmo, levada por tanta confusão. Não sei se a tua presença ajudou verdadeiramente.

Olhei para ti até adormeceres, beijei-te os lábios macios, senti o odor quente da tua pele, encostei o meu ouvido ao teu peito, ouvi o teu coração bater, e assim adormeci.

Essa foi a última noite em que te vi.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

We got the handshake under our tongue





I just shook the handshake

I just sealed the deal

I'll try not to let them

Take everything they can steal

People always told me

Don't forget your roots

I know

I can feel them underneath my leather boots


You toss all the mornings lost to the clouds and you watch it go

Your fairweather friends on a parachute binge get lost when the wind blows

The handshake's stuck on the tip of my tongue

It tastes like death but it looks like fun


I was a loner

I was just waiting by myself

When you, warped temptress

Rose to bring me happiness and wealth

Black tears, black smile, black credit cards and shoes

You can call all the people you want

But it's you who's being used


Under your black eyes, honey

Right beneath your nose

A curse on all creation

Every single thing you know

White smoke, white light, white marble on the floor

It would only take a few seconds of darkness to figure out what's in store


Little girl

You convince yourself that you want it, but you don't know

You keep trying to wash the blood from your hands, but it won't go

We're gonna keep you on the run
MGMT

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cristal (Série de Narrativa - I)

Acordar naquela casa é para mim um estranho prazer. Desejo sempre acordar, mas evitar as demoras na cama, estar ali, habitar aquela casa, bem cedo, antes que o ruído e o frenesim da cidade voltem a perturbar o seu silêncio.
Então levanto-me e a rotina torna-se quase agradável, até chegar ao quarto depois do banho e perceber que terei de sair dali.
Apanho o metro. Já me desabituei de olhar para tudo e todos, aliás, ao início quando o fazia não era por curiosidade, era apenas para te vislumbrar na multidão. Não, ainda não te encontrei, uma única vez. Então abstraio-me das caras e dos corpos pesados ao olhar para as letras breves de um livro que comecei a ler, agora que tenho tempo. De um momento para o outro chego.
Caminho agora para a nova vida que escolhi. Estou aqui, escolho começar agora! Friamente, sem “quês” nem “porquês”! Vou dar o primeiro passo!
É agora! Quando os tambores soarem, quando o meu coração saltar de alegria sincera por estar viva e conseguir realizar os meus humildes sonhos.
Nisto tocam os tambores, e eu não expludo de alegria, não… Sou apanhada de surpresa por uma súbita doença.

(...)

Condição - Só - Daqui - Não - Sair

As tuas palavras continuam a queimar-me como magma

As minhas memórias de ti continuam cravadas nas minhas pálpebras

O meu nariz continua infestado com o teu doce odor,

E tu estás tão longe, e és quase nada.

A minha mente persegue o teu rasto

Alenta visões do teu corpo

Murmura o cansado timbre da tua rouca voz

Eu já não te conheço

Nem te reconheço nas cartas que me escreves

E me envias por engano.

Aos poucos as fotografias gastas na parede

Tornam-se quadros anónimos

E tu começas a ser uma lenda,

Um mito esquecido de amor eterno.

Os dias passam e eu tento odiar-me

E odiar-te por aquilo que fomos,

Para ser mais fácil esquecer-te

Para me convencer de que não passas de uma ilusão.

As pedras gastas da calçada já não reconhecem o teu andar,

E o vento que sopra nas árvores já não se lembra de te beijar a face,

Tudo se torna distante

Como sonho breve numa madrugada chuvosa que anuncia o Outono.

Não há mais histórias hipócritas de encantar.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Às escuras

Quem sobe as escadas?
Quem bate à porta?
E pergunta: "Onde estás tu?"
E vem porque não tem mais para onde ir
E se esforça pouco para sorrir
E ser feliz?

Quem sobe as escadas agora?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Adams Fruit



It wasn't me who gave it to eat
That fresh fruit
From that tree
I was just seated under it
Crying for my miss behave
And Adam came.

He spoke to me lovely words
Oh, I just couldn't believe
That I had found the man of my dreams
He hold me and said:
"Yes, I am your perfect man!"

I couldn't stay still
"This is true, this is real!"
He had finally found me
And I was going to be finally happy.

So we had danced
And we had kissed
And we had made love
I had a great smile on my face
I had forgotten the passed race.

One day when he came to meet me
Under that beautiful tree
I was going to tell him
How I loved him
And how much I wanted to stay with him forever.

He smiled and kissed me
"This is truly a fantasy,
It's so easy to love this
Strong and handsome man,
Because he love me too,
I can tell!"

At night he stayed with me
We talked about everything
He made love to me
Under that green tree
And said: "Kiss me Eve"
Then he looked into my eyes
Till I fell asleep.

I had dreamed about the stars
And the luck I was having,
But when I woke up
I didn't saw him right beside me
I had a letter, a small one saying:
"Goodbye Eve.
I think you're the funniest girl,
You're beautiful and tender
But I just don't feel
Like staying with you forever."

Next to the letter there was
A big green, kind of apple
I bit it till I taste
The poison of the devil.
I cried in that moment
For the pain was too strong
And my heart was too broken.

Now I've stopped hopping
For another perfect man to come
They just don't exist
I don't want anyone.