quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Insensatez

A insensatez que você fez, 
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor, o seu amor, 
Um amor tão delicado.

Ah, porque você foi fraco assim,
Assim tão desalmado
Ah, meu coração quem nunca amou,
Não merece ser amado.

Vai meu coração ouve a razão, 
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão, 
Colhe sempre tempestade.
Vai, meu coração pede perdão, 
Perdão apaixonado
Vai porque quem não, pede perdão, 
Não é nunca perdoado.

A.C.J. & V.M.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

J'aime toi, pardon...



Uma garrafa
Atirada para o deserto
Cheia de promessas e saliva
Uma garrafa
Partida, de estilhaços
Quebrando nossos antigos passos.

Silencia-se a lua
E todo este frio
Gela-te...
As tuas mãos estão feridas
A tua ébria decisão
Torna-se a cada dia
Mais e mais
Ardente.

E fico aqui sentada
Ofegante
Com uma dor no peito
De não mais poder
Levar-te no meu colo
De não mais poder
Ser teu berço.

Partes e em toda a parte
Sinto a tua presença
E em todas as pedras da calçada
Ouço a tua voz
Espero um dia encontrar-te
Sedento 
Desta mesma água
Desta mesma garrafa
Que ficou no meio do deserto
Esperando ser devorada,
Esperando desaparecer...

domingo, 2 de novembro de 2008

I'm not my own it's not my choice

É tudo um simples sonho,
Sonho de uma noite de verão
E quando passamos o pinhal recheado
De atentados à Natureza
Deparamo-nos com uma descida precipitada.
Ainda queria que me desses a mão
Para me ajudares a descer
Que me quisesses abraçar
À beira mar
Que vivesses comigo 
Na modesta forma de amar,
Que dormisses agarrado ao meu umbigo
E que fotografasses tudo com indecência.
As minhas pernas,
O vestido levado pelo vento,
As tuas lágrimas,
Os lençóis,
O pó.


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Capítulo 0

Estou no centro
Cansada de esperar
Para entrar no próximo capítulo
A suportar discussões
Embriagadas
Os jogos dos fumadores
E pergunto a um careca nojento
Que está sentado num banco
Aquilo que devo fazer
Ele responde simplesmente: Sim!
Aqui está, é o novo capítulo
Subo a rua
Viro à direita
Viro à esquerda
Encontro um pedaço de passado
Disfarçado pelo fumo de mais um cigarro,
As beatas não me caem bem!
Depois trocamos números de lotaria
Será que a sorte nos calha?
Sigo em frente e paro
No circulo atolado de quadrados
À espera do meu erro,
Da minha porta fútil e viva.
Aí está ela! Sai, paga a conta
Aperta a mão a um sujeito
E vem para mim com sorriso forçado
Como se eu fosse o fim triste de uma noite pestilenta.
Estou dentro do caixote do lixo
Verde de enjoos com o que se vai passar.
Mas vamos! Para evitar frustrações pego num belo pombo correio,
Faço-o voar, para enviar um pedido de socorro
A quem não me pode salvar.
Inútil!
Seguimos, descemos as escadarias da Igreja,
Caem-nos favas em cima das cabeças,
O arroz está caro e não se pode estragar
Assim, com cerimónias efémeras
Procuramos padrinhos,
Telefonamos-lhes...
Não estão! Não podem! 
Encontraram um ninho de amor...
Volto para o mesmo sitio,
É para onde a minha porta me trás
De volta à mesma velha merda.
Animal, acalma-te!
Fugimos... Eu vi-o!
É tão melhor, tão quente
Tão chão, tão terra!
Que pena ter marcado o número errado...
Já não escrevo cartas de amor... 

sábado, 18 de outubro de 2008

The same old goodbye

You knew in five minutes, 
But I knew in a sentence 

It's not like I dropped the bomb, 
on my conscience  
It takes fightin' day and night 
to make such a good thing die 

Out, everyone out 
I give too much shit at home 
In my heart and mind 
It gets me every time 

So why do we go 
Through all this shit again? 
Your eyes are Flutterin' 
Such pretty wings. 
A moth flyin' into me 
The same old flame again 
It never ends.

TAF

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Nugénio


A minha forma de repousar 
Torna-se turva
Os sonhos atormentam-me
Não consigo deixar de vislumbrar
Tragédia
Nas linhas que escreveste,
Porque percorremos ruas 
Subimos dunas
Apregoando cumplicidade
E agora sinto me aqui
Só 
Não te sabendo fechar nessa caixa
Para fazeres companhia a Camões.
Quero despedir-me de ti
Mas não deixas
Assim é tudo despido de sentido.
Até que aqui chegues
Até que eu chame o teu nome
Irá surgir todo um Universo
Perder-se-à a nossa história
Nunca mais teremos inverso
Nunca mais se saberá o que Tu Disseste
Ou o que irias dizer,
Isso morre, mas não Interessa
Não Interessa NADA!

domingo, 12 de outubro de 2008

Navoar

Era uma vez um mono-asa.
E como era mono-asa só podia voar numa direcção.
Mas a generosa natureza tinha tomado as suas providências e ao mono-asa não interessava de onde vinha ou para onde ía. Por isso a sua asa tinha a forma de uma barbatana, e a maior parte das vezes servia-lhe de leque.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Estranha forma de vida...

Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais sao meus
Que é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus

Que estranha forma de vida
Tem este meu coracao
Vive de vida perdida
Quem lhe daria o condao
Que estranha forma de vida

Coracao independente
Coracao que nao comando
Vives perdido entre a gente
Teimosamente sangrando
Coracao independente

Eu nao te acompanho mais
Para deixa de bater
Se nao sabes onde vais
Porque teimas em correr
Eu nao te acompanho mais

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O pacto de Lumière

Há pequenos degraus que não consigo subir,
A vertigem impõe-se
O medo é maior,
Prefiro seguir as tuas pegadas na ordem descendente
Na perfeição submersa de nós dois.

Não combino o encontro rígido
Mas mesmo assim ele acontece
Parece que o tempo
Nos faz chegar, cruzar
No mesmo sítio, confundindo-nos.

Celebro hoje um pacto com o acaso
Contigo e com todos os outros
Pareço ter sido feito para cair ao sabor das tempestades,
Quando chegam as chuvas
Para depois, quando me abandonam, só
Na terra húmida,
Tornar a nascer.

domingo, 28 de setembro de 2008

Triângulo


O meu amor tem lábios de silêncio 
E mãos de bailarina 
E voa como o vento 
E abraça-me onde a solidão termina. 

O meu amor tem trinta mil cavalos 
A galopar no peito 
E um sorriso só dela 
Que nasce quando a seu lado eu me deito. 

O meu amor ensinou-me a chegar 
Sedento de ternura 
Separou as minhas feridas 
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir 
Nalguma noite triste 
Mas antes, ensinou-me 
A não esquecer que o meu amor existe.

J.P.

sábado, 6 de setembro de 2008

Nós dissemos...

Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos
segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os
dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo.
recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da
porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que
nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro
por descobrir"
Eu disse "..."Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às
vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num
murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon.
escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo.
depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para
uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as
suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu
continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma
conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada".

A.L.C.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pedra na cinzeira


Meio-dia 
É agora
O carro chega
A viola pára.
Cheguei avó, cheguei!

Um abraço
É agora
O teu cheiro chega
E todos sorriem.
Chegámos, avó! Chegámos!

Todo o doce sabor do que foi realmente a minha família
O açúcar do seu carinho
E a amargura do demorado aproximar do ventre materno.

Corri, corri
Por entre o páteo
Atravessei a estrada,
Lembrei-me dela.

Deito-me, escondo-me
Choro...

E agora passados tantos anos
Lembro-me dela,
Pego no telefone, mas do outro lado ninguém responde.

Corro, deito-me,
Escondo-me, choro
Por entre as palhas secas de Verão.

Parece que continuo a ter seis anos
E que continuo a ter medo.
Porém, já não há mais nada para destruir,
Agora que sei a dor e a cor
Do que é o sangue maternal.


quarta-feira, 2 de julho de 2008

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Yesterday




I thought I saw you yesterday
But I didn't stop, 'cause you was walkin' the opposite way
I guess I coulda' shouted out ya name
But even if it was you, I don't know what I would say
We could sit and reminisce about the old school
Maybe share a cigarette, because we both fools
Chop it up and compare perspectives
Life, love, stress and set-backs, yes
So you could tell me how hard you had it
And you could show me all the scars to back it
And we could analyze each complaint
Break it down and explain these mistakes I make
I like to tangle up the strings of the puppetry
But you knew me back when I was a younger me
You seen Sean in all types of light
And I've been meanin' to ask you if I'm doin' alright

Yesterday
Was that you? Looked just like you
Strange thangs my imagination might do
Take a breath, reflect on what we been through
Or am I just goin' crazy 'cause I miss you?

I'm shook, I know, I pushed when I shoulda' pulled
Took it all back if I could, I put that on my soul
And I would make a top-notch good listener
If you could block-off a little time out to give it here
Since we went our separate paths
I've hit a couple snags that remind me of the past
I can't front, I'm havin' a blast
But damned if I ain't afraid of how long it's gonna last
Sittin' here wishin' we could kick it
Give me your opinions, I do miss your criticisms
I didn't mean to be distant, make a visit
I'll wait up and keep the coffee brewin' in the kitchen
But who am I jokin' wit'?
There's no way that you and I will ever get to re-open it
It doesn't matter, this is more than love
And maybe if I'm lucky, get to see you out the corner of

Was that you? Looked just like you
Strange thangs my imagination might do
Take a breath, reflect on what we been through
Or am I just goin' crazy 'cause I miss you?

And when you left, I didn't see it comin'
I guess I slept, it ain't like you was runnin'
You crept out the front door slow
And I was so self-absorbed I didn't even know
And by the time I looked up it was booked up
Put it all behind you, the bad and the good stuff
A whole house full of dreams and steps
I think you'd be impressed with the pieces I kept
You disappeared but the history is still here
It's why I try not to cry over spilt beer
I can't even get mad that you're gone
Leavin' me was probably the best thing you ever taught me
I'm sorry, it's official
I was a fist-full, I didn't keep it simple
Chip on the shoulder, anger in my veins
Had so much hate, now it brings me shame
Never thought about the world wit'out you
And I promise that I'll never say another bad word about you.

A

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Piece of Paper


I don't wanna be your friend
I just wanna be your lover
No matter how it ends
No matter how it starts

Forget about your house of cards
And I'll do mine
Forget about your house of cards
And I'll do mine

Fall off the table,
And get swept under
Denial, denial

The infrastructure will collapse
From carpet spikes
Throw your keys in the bowl
Kiss your husband 'good night'

Forget about your house of cards
And I'll do mine
Forget about your house of cards
And I'll do mine

Fall off the table,
And get swept under

Denial, denial
Denial, denial

Your ears are burning
Denial, denial
Your ears should be burning
Denial, denial

quarta-feira, 21 de maio de 2008

If...

If we kiss the last hour
Will you stay if we kiss
I sit on a corner
Watching people passing by
I walk in a crowd
Looking for one.

F.

domingo, 18 de maio de 2008

Péssimo Executante




Olho para todos os lados
Ignoro palavras familiares
Vejo novos sorrisos
E tu? Onde estás tu?

Foste, partiste
Só, na terra batida
Infértil.

Sei e relembro
Que foi precisamente aqui
Que te vi
A primeira vez
Tão estranho às minhas entranhas.

Uma esperança renovada
O pedido tão longínquo
A resposta tão tardia.

Se eu te pudesse dizer
Aquilo que vejo nos teus olhos,
Se eu pudesse perceber
Quem és...

Enquanto alguém vive a sua pele
Tu e eu estamos no meio
E vamos trocando nadas.

Porque não falas?
Porque não te mexes?
Falta tanto para te abraçar...

Notícia

Eu não posso,
Não quero esperar por ti,
Tenho algo que me é intrínseco
E se move assim
Tão rapidamente.
Não posso estar constantemente
Presa a um futuro incerto
A um sentimento remoto.
Só aquilo que é deformado
Me interessa,
E agora existe outra porta
Outra resposta
Que eu esperei durante tanto tempo...
E o tempo?
Esse urge,
É preciso saber o que fazer,
A quem me dedicar,
De quem abdicar?
Não posso esperar por ti,
Chorar mais por ti.
Chora tu desta vez,
Sofre tu desta vez,
Revolta-te tu desta vez
Que eu preciso beber de outra água.